Confiança é como uma taça de cristal: difícil de ser feita e muito fácil de ser quebrada, ou riscada. Talvez confiança não seja necessariamente o objeto certo, mas a ideia é a mesma. Toda vez que uma mentira é contada ela vai pelo menos riscar a taça. Eu sei que provavelmente a mentira que estou mencionando não foi proposital, mas mesmo assim me deixou um pouco chateado. Desculpas nunca são o melhor caminho, e se eu faço algo errado prefiro que me digam o que foi para que eu possa buscar melhoria. E também sei que se a mentira foi proposital foi simplesmente para não me deixar chateado. Ser você o motivo da minha mágoa apenas a aumenta. A única coisa que eu realmente preciso é a verdade, por mais dolorida que seja.
Era uma menina tão bonitinha. Trancinhas, vestidinho e chapeuzinho. Era seu primeiro dia na escola e ela estava tão animada. Entrou na sala e achou a decoração tão bonita! Um lado tinha as paredes todas pintadas de azul-noite e as carteiras era cinza, os alunos daquele lado se vestiam igualmente com um uniforme verde. O outro lado tinha as paredes vermelhas, as carteiras eram rosa e os alunos se vestiam de um tom de laranja-abóbora. Os alunos de verde estavam sentados, lendo, escrevendo enquanto os de laranja dançavam loucamente entre si, cantavam e desenhavam com canetinhas e lápis coloridos.
Ambos os lados se ignoravam. Os do lado azul não ligavam para a bagunça dos de laranja, que não invadiam o espaço dos de verde. A mesa da professora era de um mogno escuro. Era uma bonita mulher, ruiva com um rabo de cavalo. Quando olhou para a garotinha foi possível ver que seus olhos tinham cores diferentes: um azul e outro verde. Estava sentada olhando para a sala, mas quando viu aquela garotinha incomum levantou-se e caminhou até ela. Perguntou seu nome e soube que era Tereza. A da professora era Julia, ou Alice, a garotinha não entendeu direito. A professora reparou nos sapatinhos laranja da garotinha, então a mandou sentar no lado vermelho da sala. A garotinha sentou em sua mais nova carteira rosa. Olhou pro lado e viu um menino e uma menina a olhando feio. Apresentou-se e perguntou se tinha algo errado. Ora, é claro que tinha, responderam as crianças, o cinto que estava em torno de seu vestidinho era verde, e verde era a cor do outro lado. A menina de laranja reclamou do cinto para a Julia, que sugeriu à Tereza que tirasse seu cinto, mas a menina de laranja disse que não adiantava nada tirar, porque o verde estava no imaginário daquela garotinha nova de vestidinho. A professora, sem mais argumentos, pediu à Tereza que se sentasse do outro lado da sala. Acomodou-se na carteira cinza e retirou seu caderno rosa da mochila. Um dos meninos que escrevia olhou aquilo horrorizado e chamou a Alice. Não é possível alguém escrever em algo com aquela cor, reclamou o garoto, aquela cor praticamente o cegava. A professora pediu então que o menino emprestasse uma folha de caderno para a Tereza, o que foi recusado, por suas folhas serem muito preciosas. Ninguém daquele lado emprestou folha alguma, então Tereza guardou seu caderno e se sentou na grande mesa de mogno da professora. Os alunos de ambos os lados a olhavam com ódio. Não era possível alguém usar o verde e o laranja ao mesmo tempo! Não era permitido! Como a professora permita que aquela garota nova com vestidinho permanecesse na sala? Mesmo que no outro dia ela viesse com uma só cor, nenhum dos lados a aceitaria, pois a outra cor já estava no imaginário da garotinha.
A inocente garotinha não compreendia e não aceitava ter que escolher apenas uma cor, afinal ela gostava tanto de seu cintinho verde… Seu sapatinho laranja era tão lindinho! E seu vestidinho era xadrez, não queria usar algo apenas verde ou apenas laranja. Ela queria usar suas estampas de florzinha e sua jaquetinha de couro! Não era justo ter que usar apenas uma só cor! Pôs-se a chorar. Chorou, chorou. A professora viu e se aproximou. Perguntou o que acontecia e ouviu atentamente a explicação da garotinha. A professora então explicou que a vida era assim, não se podia querer ser verde e laranja, era preciso escolher entre o verde ou o laranja. Ninguém poderia querer as duas juntas ou mais de uma cor. A garotinha pensou em seus pais e disse à professora que nenhum deles usava verde ou laranja. A professora disse que isso não era possível, ou eles usavam uniforme (como ela estava usando) ou eles eram contra a natureza. A menina chorou novamente. Com o fim da aula nenhuma criança chegou perto dela. Ela tentava falar com alguém, mas ninguém respondia. Ela era laranja demais para falar com alguém de verde, e era verde demais para falar com alguém de laranja.
Caminhando sozinha na rua preta olhou para o céu azul celeste. Ela não desejava ser ou laranja ou verde. Ela não queria… Ela olhou para cima e pediu a seu Deus que a ajudasse. Deus não respondeu. A garotinha chorou novamente e decidiu sentar na calçada. Perguntou-se o porquê de ninguém gostar do colorido e deprimiu-se. As outras pessoas não compreendiam… Enxugou a última lagrima e levantou-se. Quando olhou para frente viu algo que ninguém acreditaria. Um unicórnio branco com o chifre reluzente estava parado olhando para ela. O unicórnio veio em sua direção e encostou o focinho em seu ombro. A garotinha achou graça e riu. A garotinha subiu na calçada e pôde subir no unicórnio. Quando estava bem confortável o unicórnio começou a galopar. Galopava tão velozmente, mas ela não sentiu medo. Com um salto, o unicórnio começou a galopar no ar. Lá de cima a garotinha viu a cidade toda. Chorou de novo, pois um lado da cidade era cinza e outro era rosa. Até a cidade era dividida. Olhando para o unicórnio desejou não mais ter de fazer escolhas, pois isso a estava matando ao poucos. O chifre do unicórnio brilhou fortemente e a garotinha não pôde ver nada. Quando se deu por si percebeu que estava num lugar totalmente diferente. Seu desejo se tornara realidade por fim.
Eu tive um sonho. Eu via um campo sem fim e grama alta. Estava lá, mas eu era nada. Via um menino que, sentado de cócoras, olhava para o horizonte, e para mim, e era visível um brilho emanar não muito forte de sua pele. O menino estava nu e me senti embaraçado quando olhou fundo nos meus olhos e levantou-se. Caminhou levemente em direção a uma rosa tão vermelha que sua cor vibrava. O menino olhou para a rosa, e para mim, e pude sentir o amor que ele nutria por ela, e ao mesmo tempo pude sentir uma certa tristesa e preocupação. Não sei se sempre esteve ali, ou se aparecera por mágica, mas vi um pincel fino com algumas cerdas nas mão do garoto. Delicadamente ele pousou as cerdas sobre uma pétala e carinhosamente a pintou, não sei de onde aquela tinta tinha surgido, mas entendi que no passado a cor daquela rosa era muito mais bonita e vibrante do que hoje. O menino lutava para manter a beleza daquela rosa, mas a artificialidade o preocupava. A rosa sentia-se muito feliz, mesmo sem conseguir compreender, mas sabia que era muitíssimo bela e não sofria por sua cor ser falsa. Mas o menino sofria a cada gota de tinta derrubada. Tão misteriosamente quanto o aparecimento do pincel, vi uma tesoura de jardinagem pousada ao lado do caule da bela flor. O menino descansou o pincel na grama, sentou-se e pensativo olhou para a tesoura. Li sua mente e entendi o nó surgido em sua cabeça. Ele poderia viver aquela mentira diariamente a pintar a rosa e deixá-la feliz, mas destruir a si próprio pelo simples fato de nada ser verdade, ou ele poderia simplesmente cortar aquele caule e acabar com aquela falsidade, mesmo que o amor que ele sentia por ela pudesse também destruí-lo. Em meio a tanto brilho pude ver seu olho se encher de lágrimas. Senti uma correr pelo meu rosto. Acordei.
Anonymous asked: vish vish que treta
omg me diz se seu cabelo é azul daí sabereeeei. vc escreve igual essa pessoa de cabelo azul to com duvida
Anonymous asked: Coisas feias
Quem é vc. fica escrevendo coisas feias no meu tumblr t-t me dizzz porfa tô ficando chatiado
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